O Dia em que o Rock Encontrou sua Realeza: Quando o Foo Fighters realizou o sonho de abrir para o AC/DC
Há momentos na história do rock em que a distância entre o fã na primeira fila e o ícone no palco simplesmente desaparece. Foi exatamente essa linha tênue que Dave Grohl cruzou ao realizar parte de um antigo sonho de infância: ver o Foo Fighters assumir a responsabilidade de abrir um show do AC/DC em uma apresentação única da banda antes dos lendários australianos em St. Louis, nos Estados Unidos.
Eufórico e visivelmente emocionado, o frontman não escondeu o tamanho do momento ao saudar o público antes dos primeiros acordes estridentes de “All My Life”: “Senhoras e senhores, sejam bem-vindos ao meu sonho de infância esta noite!”.
A energia contagiante deu o tom para um repertório enxuto e implacável de dez músicas, cuidadosamente selecionadas para aquecer o terreno para os mestres do hard rock. Entre hinos contemporâneos e a catarse nostálgica que encerrou a performance com chave de ouro em “Everlong”, o grupo entregou tudo o que se espera de uma banda talhada para arenas. Ao final, antes de descer do palco, Grohl deu o ultimato que sintetizava sua própria condição de fã incondicional: “Vejo vocês na pista!”. Ele trocaria os refletores do palco pela vibração da multidão para assistir de perto à aula magna de Angus Young e companhia.
Apesar da glória de dividir a noite com uma de suas maiores influências de vida, o roteiro guardava um pequeno gosto de frustração para o baterista e líder do Foo Fighters: o sonho supremo de sentar-se à bateria para tocar ao vivo com o AC/DC permaneceu, por enquanto, no campo dos desejos. Grohl, que nunca escondeu sua profunda reverência pelo legado rítmico da banda australiana — tendo declarado admiração eterna pelos bateristas que passaram pelo posto —, teve que se contentar em aplaudir os mestres do camarote e da pista.
Na sequência, o AC/DC assumiu o comando com a autoridade de quem moldou o DNA do rock pesado mundial. Desfilando um setlist monumental de 21 faixas que começou com a eletrizante “If You Want Blood (You Got It)”, passou por cortes viscerais como “Back in Black”, “Riff Raff” e “Shot in the Dark”, e encerrou a noite com o tradicional e ensurdecedor canhão de “For Those About to Rock (We Salute You)”, os australianos provaram o porquê de continuarem intocáveis.
Para Dave Grohl, a noite em St. Louis não foi apenas mais uma data na agitada agenda do Foo Fighters; foi o encontro definitivo entre a realização pessoal e a reverência eterna aos gigantes que o inspiraram a pegar nas baquetas e na guitarra pela primeira vez.
