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O Blues Secreto do Metallica: Quando Newsted e Hammett quase criaram um monstro sagrado nos anos 90

Imagine o ano de 1991. O Metallica acabara de lançar o monolítico Black Album, conquistando o planeta e transformando-se em uma força intransponível da música mundial. No entanto, enquanto os holofotes do thrash metal iluminavam estádios esgotados, dois de seus pilares — o baixista Jason Newsted e o guitarrista Kirk Hammett — olhavam para o horizonte com um desejo visceral e inesperado: tocar o bom e velho blues das raízes.

Em uma entrevista reveladora de 1992, resgatada pelo canal Sunset Vinyl e transcrita pelo Ultimate Guitar, veio à tona um plano secreto que acabou soterrado pela própria e implacável máquina do Metallica. Longe de ser apenas uma conversa de bar após um show, a empreitada já estava saindo do papel.

“Estou construindo um estúdio na minha casa…”

Na época, Newsted não escondeu o entusiasmo com a infraestrutura que estava montando para dar vida ao projeto. “Estou construindo um estúdio na minha casa, está quase pronto. Um digital completo, de 24 canais. A gente já chamou um monte de gente para tocar, gente de quem falamos antes, o Andreas [Kisser, do Sepultura] e o Greg Hall, do Sacred Reich, e metais e outras coisas”, revelou o baixista, confirmando que a ideia já contava com peso pesado internacional, incluindo o nosso eterno maestro do Sepultura, Andreas Kisser. “Vou juntar todo tipo de coisa. Então posso dizer que sim, existem planos para fazer outra música, com certeza… pelo menos uma demo legal”.

Kirk Hammett, por sua vez, definiu a essência despretensiosa, porém magnética, da empreitada: “É, a gente vai formar uma banda de blues, eu e ele. E ter um monte de participações de outros músicos, e ver no que dá”. Newsted ainda complementou que já vinha compondo material próprio e que a principal inspiração do momento vinha do Texas: “A gente está meio que tentando roubar algumas ideias do Arc Angels e tal. Estou muito ligado no Arc Angels agora. Acho que são muito bons. Dois frontmen realmente bons na mesma banda”.

A obsessão pelo Delta e o encontro com John Campbell

Se a base instrumental já prometia peso e feeling, o nome mais cobiçado para liderar a empreitada vinha diretamente dos pântanos da Louisiana. John Campbell, um verdadeiro mestre da slide guitar e dono de uma voz visceral e encorpada, havia lançado o aclamado álbum One Believer pela Elektra em 1991, tornando-se o grande nome do blues contemporâneo nos clubes de Nova York.

Fascinado pelo talento de Campbell, Jason Newsted fez questão de ir vê-lo tocar ao vivo no lendário clube Lone Star, em Manhattan. A imersão foi tão profunda que o baixista voltou da noite nova-iorquina com o convite formal feito pessoalmente, buscando injetar a atmosfera crua e autêntica do Delta do Mississipi no projeto paralelo dos membros do Metallica.

O que restou na estrada

Infelizmente, a monstruosa agenda de turnês, estúdios e compromissos do Metallica acabou engolindo a banda de blues de Newsted e Hammett antes que ela pudesse ganhar o mundo em larga escala. Restaram apenas os registros na memória, as fitas perdidas e o vislumbre fascinante de que, no coração dos maiores ícones do metal pesado daquela década, o que realmente pulsava era a paixão eterna pelas doze barras do blues.

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