O Dia em que o Metallica Parou o Planeta (Sem Pedir Licença)
Em 1991, o Metallica já não precisava provar absolutamente nada para ninguém. Com clássicos intocáveis como Master of Puppets e …And Justice for All, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Jason Newsted eram os reis incontestáveis do pedaço — ou melhor, do heavy metal pesado e complexo. O que ninguém contava era que o próximo passo da banda iria, literalmente, reescrever as regras do jogo e transformar o garoto propagandeado do underground em um fenômeno de auditório global.
Lançado em 12 de agosto de 1991, o autointitulado Metallica — que o mundo aprendeu a chamar carinhosamente de Black Album — chegou chutando a porta. Estreou direto no topo da Billboard 200, vendendo nada menos que 598 mil cópias só na primeira semana nos Estados Unidos. Detalhe: tudo isso bem na hora em que o sistema SoundScan entrava em campo para mudar para sempre a forma como a indústria contava seus discos, trocando o “achismo” pela precisão cirúrgica dos números reais.
E que números! Sob a batuta do produtor Bob Rock, a banda deu aquela enxugada na linguagem intrincada do passado e apostou em canções diretas, parrudas e chicletes — no bom sentido. Quem diria que “Enter Sandman”, “The Unforgiven”, “Nothing Else Matters”, “Sad but True” e “Wherever I May Roam” virariam o hino de uma geração inteira, tocando desde a rádio rock até o churrasco de domingo? O melhor de tudo é que essa guinada para o grande público não custou a alma da banda; foi uma aula de como crescer sem perder a pose.
A escalada rumo ao topo foi digna de campanha política bem-sucedida. Em 2009, o Black Album ultrapassou o megassucesso Come On Over, de Shania Twain, para se coroar como o disco mais vendido nos EUA desde o início da era Nielsen SoundScan. Em 2010, já ostentava a marca oficial de 15,5 milhões de cópias comercializadas por lá, número que hoje já flerta com a casa dos 17,8 milhões.
Para coroar a façanha, o impacto foi imediato. Mesmo chegando às lojas só na reta final daquele ano de 1991, o álbum fechou o período com 3,2 milhões de cópias vendidas nos EUA, garantindo seu lugarzinho no Top 10 de um mercado que, na época, dividia espaço com gigantes do pop e da música country como Mariah Carey e Garth Brooks. No fim das contas, o Metallica não apenas conquistou o eleitorado do rock: ele provou que o metal também sabia governar o topo do mundo.
