Quando o respeito falou mais alto: Por que o Guns N’ Roses deixou o Queen fora de “The Spaghetti Incident?”
Lançado em novembro de 1993, “The Spaghetti Incident?” carregava a essência caótica, visceral e descompromissada que sempre definiu o Guns N’ Roses. Nascido de uma ideia simples — cada integrante sugeria músicas de que gostava, sem grandes planejamentos ou reuniões de diretoria —, o álbum de covers funcionou como um testamento das raízes punk, glam e hard rock da banda. Enquanto Slash puxava clássicos de Fear e Nazareth, e Duff McKagan e Axl Rose traziam nomes como New York Dolls e T. Rex (com a faixa “Buick Makane” entrando no repertório só porque Axl sabia que era favorita do guitarrista), havia um nome intocável na mesa de som: o Queen.
A linha tênue entre a admiração e a reverência
O afastamento de qualquer faixa de Freddie Mercury e companhia não aconteceu por falta de apreço. Pelo contrário: a devoção de Axl Rose pelo Queen era histórica e pública. Em 1992, o vocalista havia roubado a cena no monumental Freddie Mercury Tribute Concert no Estádio de Wembley, dividindo os vocais de “Bohemian Rhapsody” com Elton John e entregando uma performance furiosa em “We Will Rock You” ao lado dos membros remanescentes da banda britânica.
No entanto, quando se tratava de entrar em estúdio para gravar um disco oficial sob o estandarte do Guns N’ Roses, a perspectiva mudava drasticamente. Axl entendia que regravar o material da realeza do rock exigia um patamar técnico e interpretativo fora de alcance para aquele momento específico do grupo.
“Eu não conheço uma música do Queen que eu realmente consiga fazer no nível do Queen. Isso pesa para mim. E também não combinava muito com o projeto que estávamos fazendo naquele momento. Escolher uma música do Queen é complicado.” — Axl Rose
A prudência como escolha artística
Enquanto faixas de The Stooges, The Damned e T. Rex ganhavam uma roupagem barulhenta e crua, perfeitamente alinhadas com a estética de garagem que o projeto exigia, o catálogo do Queen pedia uma grandiosidade operística e uma precisão cirúrgica.
No fim das contas, a decisão de riscar o Queen da lista de “The Spaghetti Incident?” revelou a maturidade e a lucidez de Axl Rose em relação aos seus próprios ídolos. Em um álbum inteiramente dedicado a homenagear influências, ele soube reconhecer que certas lendas são grandes demais para serem reinterpretadas de qualquer jeito. Prefiro a prudência à ousadia vazia: o Queen continuou intocado, guardado em um pedestal onde nem mesmo a força bruta do Guns N’ Roses ousou tocar.
O que você acha dessa decisão de Axl Rose? Acha que o Guns N’ Roses conseguiria tirar onda com um cover do Queen nos anos 90, ou ele fez certíssimo em respeitar os limites?
