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Da multidão ao asfalto: Andreas Kisser transforma a Avenida Paulista em palco improvisado

Um dia após se apresentar em um estádio lotado, Andreas Kisser provou que o rock não reconhece cercas, camarins ou hierarquias. O guitarrista do Sepultura surpreendeu quem circulava pela Avenida Paulista ao surgir tocando guitarra em plena calçada, transformando um trecho da via mais icônica de São Paulo em um palco improvisado e democrático.

A jam aconteceu ao lado da banda Picanha de Chernobill, conhecida por misturar humor, peso e improviso em performances de rua. Sem produção, sem seguranças e longe da grandiosidade dos grandes shows, Kisser se juntou aos músicos como apenas mais um integrante, puxando um solo espontâneo, cheio de identidade, que rapidamente atraiu curiosos, celulares erguidos e aplausos sinceros.

O momento ganhou força nas redes sociais, onde um vídeo mostra o guitarrista completamente à vontade, sorrindo, ouvindo os parceiros e improvisando com a naturalidade de quem nunca perdeu a conexão com a essência do fazer musical. Não era uma apresentação ensaiada — era música acontecendo no agora, no meio da cidade, no ritmo do trânsito e das pessoas passando.

A aparição também chama atenção por acontecer em um momento particularmente movimentado da carreira de Andreas, que recentemente teve seu nome associado a projetos paralelos e colaborações inesperadas, como o Mr. Bungle. Ainda assim, a cena na Paulista reforça algo que fãs sempre souberam: independentemente do tamanho do palco, Kisser continua sendo um músico movido pelo prazer de tocar.

Em tempos de produções gigantescas e experiências cada vez mais mediadas por telas, a jam na avenida funcionou quase como um lembrete — o rock nasceu na rua, no improviso, no encontro. E, por alguns minutos, a Paulista deixou de ser apenas um cartão-postal de São Paulo para virar um espaço de celebração, ruído e liberdade sonora.