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Nepo baby: o peso do sobrenome e o primeiro passo solo da filha de Dave Grohl

O termo nepo baby voltou ao centro do debate pop com a notícia de que, aos 19 anos, a filha de Dave Grohl oficializou sua carreira solo ao assinar contrato com uma grande gravadora e lançar músicas autorais. Mas, afinal, o que isso significa — e por que essa expressão provoca tantas reações?

Nepo baby é uma abreviação de nepotism baby, usada para definir filhos de artistas, empresários ou figuras influentes que entram no mercado com vantagens evidentes por causa do sobrenome que carregam. A discussão não gira apenas em torno de talento, mas de acesso: portas que se abrem mais rápido, visibilidade garantida e menos obstáculos no início da carreira.

No caso da primogênita de Dave Grohl, a relação com a música vem de longa data. Antes mesmo de pensar em uma trajetória própria, ela já havia participado de shows e gravações do Foo Fighters, aparecendo em momentos importantes da banda liderada pelo pai. A familiaridade com palcos grandes, estúdios profissionais e músicos consagrados fez parte de sua formação artística desde cedo.

Agora, com a assinatura do contrato e o lançamento de singles autorais, o cenário muda. A artista deixa o papel de participação pontual e assume o centro do palco, apresentando uma identidade musical própria e dando início, oficialmente, à sua carreira solo. É nesse ponto que o rótulo de nepo baby costuma pesar mais: a expectativa de que ela precise provar, em dobro, que sua presença ali não se resume à herança familiar.

Ao mesmo tempo, o debate revela uma contradição comum na indústria da música. Muitos artistas cresceram cercados por instrumentos, referências e estímulos criativos — o que, naturalmente, influencia escolhas profissionais. Ter um sobrenome famoso pode facilitar o começo, mas não sustenta uma carreira a longo prazo. Público, crítica e mercado costumam ser implacáveis quando falta consistência artística.

O caso da filha de Dave Grohl ilustra bem essa encruzilhada entre privilégio e mérito. O ponto de partida pode ser mais alto, mas o percurso ainda precisa ser trilhado com personalidade, repertório e conexão real com quem escuta. No fim das contas, o rótulo pode chamar atenção — mas é a música que decide quem permanece.