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Muito além dos Beatles: o destino dos Wings e o renascimento de Paul McCartney

Quando os The Beatles chegaram ao fim, muita gente se perguntou se Paul McCartney conseguiria reencontrar o próprio caminho. O novo documentário “Paul McCartney: Man On The Run”, que estreou nesta sexta-feira (27) no Prime Video, revisita justamente esse momento de reconstrução — e joga luz sobre a história do Wings, a banda que marcou o recomeço do músico nos anos 1970.

Criado em 1971, o Wings nasceu quase como um gesto de sobrevivência artística. Ao lado de Linda McCartney e do guitarrista Denny Laine, McCartney decidiu começar de novo — encarando críticas, desconfianças e a inevitável comparação com o passado. O que parecia um “plano alternativo” virou uma máquina de hits. Canções como “Band on the Run”, “Live and Let Die” e “Jet” provaram que ele não precisava viver apenas da memória dos Beatles.

Ao longo da década, o Wings teve diferentes formações. Passaram pela banda nomes como o guitarrista Jimmy McCulloch, que morreu ainda jovem em 1979, e os bateristas Joe English e Steve Holley. Denny Laine, peça-chave na construção da identidade do grupo, seguiu carreira após o fim da banda e faleceu em 2023. Linda permaneceu ao lado de Paul até o encerramento do Wings e depois se dedicou à fotografia e ao ativismo até sua morte, em 1998.

Já McCartney transformou aquela fase de incerteza em um dos períodos mais produtivos de sua carreira. Décadas depois, continua levando músicas do Wings aos palcos do mundo inteiro, reafirmando que aquela banda não foi apenas um capítulo de transição — foi afirmação, autonomia e reinvenção.

“Man On The Run” resgata essa trajetória com o distanciamento que o tempo permite. E talvez a maior revelação do filme seja simples: o Wings não vive à sombra dos Beatles. Ele representa o momento em que Paul McCartney decidiu provar — primeiro para si mesmo — que ainda tinha muito a dizer.