AC/DC esgota três datas no Brasil e transforma “Highway to Hell” em apoteose ao vivo em 2026
Com três apresentações completamente esgotadas no Brasil em 2026, o AC/DC reafirma seu tamanho monumental diante do público brasileiro. A primeira noite, realizada nesta semana, foi um espetáculo de produção grandiosa, riffs ensurdecedores e uma plateia que transformou o estádio em um coral de dezenas de milhares de vozes. Desde as horas que antecederam a abertura dos portões, já era possível sentir o clima de evento histórico. Agora, a expectativa cresce para os dois shows restantes, que prometem repetir — ou até superar — a intensidade vista na estreia da turnê em solo nacional.
No centro dessa celebração está um dos discos mais importantes da história do rock: Highway to Hell. Lançado em 1979, o álbum representou a guinada definitiva na trajetória do grupo. Até então, a banda já era um fenômeno na Austrália e acumulava respeito na Europa, mas ainda buscava consolidar sua presença no competitivo mercado norte-americano. A pressão por resultados maiores levou à escolha de um novo produtor, Robert John Lange, o Mutt Lange, cuja abordagem detalhista ajudou a organizar o caos criativo da banda sem tirar sua agressividade característica.
Lange trabalhou minuciosamente arranjos, backing vocals e dinâmica das faixas, dando mais clareza ao peso das guitarras e tornando o som mais impactante nas rádios. O resultado foi um disco direto, consistente e cheio de identidade. A faixa-título nasceu de um riff cortante criado por Malcolm Young, com a guitarra incendiária de Angus Young conduzindo a música a um dos refrães mais reconhecíveis da história do rock. A letra refletia o desgaste e a intensidade da vida na estrada — uma rotina exaustiva que, para a banda, era quase um caminho inevitável rumo ao sucesso.
“Highway to Hell” também se tornou o auge criativo de Bon Scott com o AC/DC. Seu vocal carregado de ironia, carisma e atitude deu alma ao álbum. Scott personificava a essência do rock cru e debochado que a banda defendia. Poucos meses após o lançamento, sua morte, em fevereiro de 1980, encerraria de forma trágica essa fase — mas o disco já havia deixado sua marca definitiva.
O impacto foi imediato: o álbum alcançou o Top 20 nos Estados Unidos e tornou-se o primeiro disco de platina do grupo no país, pavimentando o caminho para o sucesso ainda maior de Back in Black. Mais do que números, consolidou uma assinatura sonora baseada em riffs simples e poderosos, refrães explosivos e uma atitude que dispensava excessos técnicos.
Quase cinco décadas depois, a força dessas músicas permanece intacta. No show desta semana no Brasil, quando os acordes iniciais da faixa-título ecoaram, o estádio literalmente tremeu. Era possível ver diferentes gerações cantando juntas, provando que “Highway to Hell” ultrapassou o status de clássico para se tornar patrimônio cultural do rock.
Com duas datas ainda por acontecer e ingressos já esgotados, o que se desenha é mais do que uma turnê: é a reafirmação de um legado. O AC/DC não apenas revisita um álbum histórico — ele revive, noite após noite, um momento que redefiniu sua carreira e ajudou a moldar o próprio DNA do rock pesado.