Tom Morello celebra poder fazer filme sobre Judas Priest e combater fascismo ao mesmo tempo
O guitarrista do Rage Against the Machine, Tom Morello, está à frente de um novo documentário dedicado ao Judas Priest — e, segundo ele, o projeto vai muito além da música. Para Morello, contar a história da lendária banda britânica também é uma forma de reafirmar valores de resistência, diversidade e enfrentamento ao fascismo.
Codirigido pelo músico, o filme mergulha na trajetória do grupo que ajudou a moldar o heavy metal mundial, destacando especialmente a jornada de Rob Halford. Vocalista icônico do Priest, Halford tornou-se uma figura emblemática não apenas pelo timbre inconfundível e pela estética de couro e metal, mas também por sua coragem ao assumir publicamente sua sexualidade — um gesto que ampliou o debate sobre inclusão dentro de um universo historicamente marcado por estereótipos de masculinidade.
Para Morello, celebrar o Judas Priest é também reconhecer o papel transformador do rock. O documentário contextualiza a ascensão da banda na cena britânica dos anos 1970, sua consolidação como referência global do heavy metal e a forma como sua imagem acabou sendo apropriada por diferentes públicos ao longo das décadas. Ao mesmo tempo, ressalta como Halford ressignificou símbolos e ajudou a abrir espaço para fãs que não se viam representados naquele cenário.
Conhecido por sua postura política combativa, Morello vê o longa como uma extensão natural de sua militância artística. Ele defende que o metal e o rock sempre foram territórios de contestação e que revisitar a história do Judas Priest é reafirmar que a cultura pode ser instrumento de enfrentamento a discursos autoritários.
O documentário promete combinar imagens raras, depoimentos inéditos e uma reflexão sobre identidade, liberdade e pertencimento — elementos que ajudam a explicar por que o Judas Priest ultrapassou o status de banda para se tornar símbolo de resistência e inclusão dentro e fora dos palcos.