Espelhos que não mentem: “Narciso”, novo filme de Jeferson De com Seu Jorge, revela trailer e provoca debate sobre identidade
O cinema nacional acaba de ganhar um novo e potente convite à reflexão. “Narciso”, novo longa-metragem dirigido por Jeferson De e estrelado por Seu Jorge, teve seu primeiro trailer divulgado, antecipando uma obra que vai muito além da releitura de um mito clássico. O filme parte da história de Narciso, da mitologia grega, para discutir adoção, pertencimento e identidade negra no Brasil contemporâneo.
Na trama, o mito do homem que se apaixona pelo próprio reflexo é ressignificado. Aqui, o espelho não fala apenas de vaidade, mas de autoconhecimento, ruptura e confronto com a própria origem. A narrativa acompanha um personagem que, ao investigar sua história pessoal, é levado a encarar questões profundas sobre quem é, de onde vem e como a sociedade molda — ou tenta apagar — sua identidade.
Sob a direção de Jeferson De, conhecido por obras que tensionam raça, classe e representatividade, o filme assume um tom sensível e político ao mesmo tempo. A escolha de Seu Jorge no papel central reforça essa potência: o ator e músico entrega uma presença intensa, marcada por silêncios, olhares e conflitos internos que o trailer já deixa transparecer.
“Narciso” propõe uma inversão do mito original. Em vez de morrer afogado pela própria imagem, o personagem é obrigado a atravessar o espelho, encarar feridas históricas e questionar narrativas impostas. A adoção surge como elemento-chave da história, abrindo espaço para discutir laços afetivos, apagamentos e reconstrução da memória.
Com fotografia marcante e atmosfera intimista, o trailer sugere um filme que dialoga com o presente, tocando em temas urgentes sem perder a força poética. “Narciso” se coloca como mais um passo importante no cinema brasileiro que pensa a identidade negra não como tema periférico, mas como centro da narrativa.
O longa ainda não teve data de estreia confirmada, mas o material divulgado já indica que vem aí um filme que promete provocar, emocionar e reverberar — dentro e fora das salas de cinema.