Quando o algoritmo canta mais alto que o artista
O avanço da música gerada por inteligência artificial já deixou de ser curiosidade tecnológica e passou a ocupar um espaço real — e preocupante — nas plataformas digitais. Quem chama atenção para isso é Eric Vanlerberghe, vocalista do I Prevail, ao alertar que projetos criados por IA já estão disputando posições estratégicas em playlists importantes, tradicionalmente reservadas a artistas reais.
A crítica não é à tecnologia em si, mas ao desequilíbrio que ela começa a provocar. Bandas “fantasmas”, sem estrada, sem história e sem vivência artística, surgem com números expressivos impulsionados por algoritmos, enquanto músicos de carne e osso enfrentam cada vez mais dificuldade para alcançar visibilidade. Para Vanlerberghe, isso ameaça não só a cena, mas a essência da música como expressão humana.
O debate está lançado. Até onde a automação pode ir sem sufocar a criatividade real? Em um cenário dominado por dados e padrões, o rock — e a música em geral — sempre foi sobre imperfeição, emoção e verdade. E talvez seja exatamente isso que, mais uma vez, faça a diferença. Porque tendência passa. Mas sentimento não se programa.