Infinity: quando o Journey precisou conquistar o público nota por nota
Hoje o Journey é sinônimo de hits atemporais, daqueles que atravessam gerações e fazem parte da memória afetiva de muita gente. Mas em 1978, quando Infinity chegou às lojas, a história era bem menos confortável. A banda estava em plena transição, com Steve Perry assumindo os vocais e ajudando a moldar o que viria a ser a fase mais clássica do grupo. Só que esse processo aconteceu longe do glamour — foi na estrada, no teste diário com o público.
Infinity marcou o início de um Journey mais melódico, direto e emocional. Canções como “Lights” e “Wheel in the Sky” mostravam claramente que algo especial estava nascendo ali. Ainda assim, nem todo mundo estava preparado para ouvir. Em muitos shows, o grupo subia ao palco sabendo que a plateia não tinha ido exatamente por eles — e que a comparação com outras bandas da cena era inevitável.
Esse tipo de situação, que músico nenhum esquece, ajuda a explicar por que Infinity soa tão verdadeiro. Não é um disco feito na zona de conforto, mas no momento em que a banda precisava provar, noite após noite, que merecia aquele espaço. Às vezes abrindo a noite, às vezes enfrentando um público já “ganho” por outra atração, o Journey foi aprendendo a segurar o palco, ajustar o repertório e ganhar respeito no tempo certo.
O resultado é um álbum que vai além do status de clássico. Infinity representa a virada de chave, o começo de uma identidade que só se fortaleceria nos anos seguintes. Uma lembrança clara de que, no rock, nada vem de graça — e que antes de virar lenda, toda banda precisa sobreviver à estrada.