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O alerta de Sean Lennon: quando a memória dos Beatles passa a depender de quem conta a história

Sean Lennon, filho de John Lennon e Yoko Ono, fez recentemente uma reflexão que acendeu um sinal de alerta no mundo da música: para ele, existe o risco real de que as gerações mais jovens acabem se afastando — e até esquecendo — os Beatles. A fala não vem como crítica, mas como um retrato do tempo em que vivemos.

Segundo Sean, o volume quase infinito de lançamentos, tendências e conteúdos digitais faz com que a música seja consumida de forma muito rápida, muitas vezes sem contexto histórico. Nesse cenário, bandas que mudaram o rumo da cultura pop, como os Beatles, deixam de ser descobertas naturalmente e passam a depender de mediação — alguém que apresente, explique e desperte curiosidade.

Ele reconhece que o impacto dos Beatles é incontestável, mas lembra que nenhuma obra se sustenta sozinha se não houver transmissão de valores, histórias e referências. Para quem nasceu décadas depois do fim da banda, o quarteto de Liverpool pode parecer apenas mais um nome citado em listas de “clássicos”, sem a dimensão real de sua importância artística, social e cultural.

A reflexão de Sean Lennon também reforça o papel do rádio, dos curadores musicais e dos espaços que tratam a música com respeito à sua história. Não basta apenas tocar uma canção: é preciso contar por que ela existe, o que ela representou e por que ainda faz sentido hoje.

Os Beatles não são apenas músicas bem compostas ou melodias eternas. Eles simbolizam ruptura, criatividade, liberdade e transformação. Manter essa chama acesa é uma responsabilidade coletiva — de quem viveu aquela época e de quem acredita que o rock, quando bem contado, atravessa gerações.

E enquanto houver alguém disposto a apertar o play, ouvir com atenção e compartilhar essas histórias, os Beatles continuam vivos. No rádio, nas playlists e, principalmente, na memória de quem entende que música também é herança cultural.