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Engenheiros do Hawaii: A banda que surgiu de uma piada — e nunca mais parou

Nem todo mundo sabe, mas o início da banda Engenheiros do Hawaii tem uma origem tão improvável quanto divertida. A história começa em 1984, na cidade de Porto Alegre, quando um grupo de estudantes de arquitetura da UFRGS resolveu montar uma banda… por pura provocação.

Na época, havia uma certa rivalidade entre os cursos de arquitetura e engenharia. Como forma de tirar sarro dos colegas engenheiros — que se vestiam de forma conservadora e eram considerados “caretas” pelos estudantes de artes e arquitetura — o grupo resolveu se apresentar em um festival universitário com um nome que soasse tão absurdo quanto debochado: Engenheiros do Hawaii.

Sim, o nome era uma piada. Uma provocação bem-humorada. E o mais curioso? A apresentação deu tão certo que a banda resolveu continuar. O vocalista Humberto Gessinger, que originalmente tocava baixo, assumiu os vocais meio por acaso, após a saída do cantor original. E ali, quase sem querer, começava uma das bandas mais influentes do rock nacional dos anos 80 e 90.

O som dos Engenheiros misturava letras cheias de referências filosóficas, existencialistas e críticas sociais, com uma sonoridade que variava do rock progressivo ao pop rock, passando pelo folk e pelo regionalismo gaúcho. Hits como “Infinita Highway”, “O Papa é Pop” e “Refrão de Bolero” marcaram gerações — e tudo começou com uma gozação acadêmica.

A ironia maior? A banda que tirava sarro dos engenheiros acabou se tornando um verdadeiro projeto de engenharia poética, arquitetando discos conceituais, construindo pontes entre estilos e deixando um legado duradouro na música brasileira.

Como diria o próprio Gessinger: “Somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter.” E às vezes, tudo começa com uma piada que o tempo leva a sério.